quinta-feira, 12 de abril de 2018

9ª Anos

Querida sala,

Como prêmio por tudo de hoje, segue o link:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSchXSCdGpkznVrXBKAjjwVrVXMfTslKd1hhhPvPRb2E5cxLmQ/viewform

Boa prova e que alguém os ajude!

Mauro.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Vídeo: Debate sobre Ideologia de Gênero

Queridos,

Observem esse pequeno debate sobre tema bem próximo do que vocês irão realizar na aula. Observem os procedimentos e performances dos dois debatedores, assim como a postura do apresentador/mediador...

Vídeo

Caso achem necessário, após assistirem este programa, procurem outros na rede!

Abraços,

Prof° Mauro.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Filme: 10 dez centavos!


1)      Em duplas criem e redijam uma possível situação em que dois personagens interajam num máximo de 3 falar por personagem.

2)

a. Qual a atitude do menino com o moço?

b. O que os gestos do moço comunicam? Como responde ao menino?

c. Como você reagiria se fosse o moço?



2)      Qual a atitude da maioria das pessoas que interagem com o menino?

3)      Que relação se estabelece nas entrelinhas entre o menino e o vendedor de flores? Justifique a sua resposta.

4)      O que se transmite com a cena em que o menino rega as flores?

5)      Quais valores cultiva o menino apesar da sua situação?

6)      Escrevam a sinopse do filme.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

PROVA

Link para a prova:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfqZtOhFAKnFDHY5JV1v7enL5vsMf1wbvIu_tllpCdA0KSd4g/viewform

Boa sorte!


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

À Guisa de Manifesto.


Sejam todos bem-vindos ao blog "das artes" ou como mais especificamente sugere o nome "Acerca das 7 artes" que foi o modo como ficaram conhecidas "As Artes Liberais" - sistema educativo que remonta à Antiguidade Clássica grega[1]. Chamam-se "liberais" pois são dignas de um homem livre e que "não servem para ganhar dinheiro[2]", portanto, e mesmo que, em nossa sociedade moderna este quesito adquira várias nuances, qualquer atitude comercial[esca] vinculada à arte não será tratada aqui.
As Artes Liberais, no final da Idade Média, foram fixadas em sete: Gramática, Dialética, Retórica, Música, Aritmética, Geometria e Astronomia. Excluindo-se assim, a Pintura e a Escultura - artes mechanicae - atividades lucrativas.
Diferentemente das anteriores figurarão aqui as sete artes consideradas modernas, como consta no Manifesto das Sete Artes, de Ricciotto Canudo, de 1911, que elencou baseando-se em elementos que definem as linguagens próprias à cada "arte", as seguintes: Música, Dança, Pintura, Escultura, Teatro, Literatura e Cinema[3]. Incluindo-se além destas, qualquer manifestação artística que oriente seres de espírito livre, ou seja, emancipadoras, como a Filosofia, ou até mesmo a fruição do ócio [criativo], ou coisas correlatas.

Como já cantou Milton Nascimento[4]"todo artísta tem de ir aonde o povo está", o que não quer dizer, por outro lado, que esse artísta tenha que oferecer aquilo que o povo/público quer. O novo, qualquer inovação que configure ou demande de um projeto, e a referência à uma tradição, desde que criativa e renovadora, representa a consciência de sua condição como artista e a sua participação neste humilde espaço.
A maior intenção aqui é - junta com a de debater a arte - é estabelecer a Paideuma que para Ezra Pound [5] é "a ordenação do conhecimento de modo que o próximo homem (ou geração) possa achar, o mais rápido possível, a parte viva dele e gastar um mínimo de tempo com itens obsoletos".

Espero atingir, com a ajuda de todos, o esperado.

Boa Leitura!

Sofista Minimus.


Ps: Está é a capa do blog. Vejam as atualizações no menu à direita, lá encontrarão postagens sobre: Música [Lyra]; Cinema [Video]; Literatura [Littera]; Filosofia e pensamentos gerais [Otium], Jogos/Esportes [Ludus] e etc. Fiquem à vontade!
______________________
1. Ernest Curtius. Literatura Européia e Idade Média Latina. pág, 38.
2. Idem. pág, 39.
3. Já foram adicionadas outras como a Fotografia, Arte Sequêncial (quadrinhos), Videogames e a Arte Digital.
4. Nos Bailes da Vida. Letra de Milton Nascimento e Fernando Brant.
5. Ezra Pound. ABC da Literatura.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Novidades

Para os amantes da Música (aqui tratada como um ente) vamos publicar mais artigos. Para começar, Música Brasileira.
Prometemos o melhor! Os Mutantes, Milton Nascimento e Clube da Esquina, Beto Guedes, Elis Regina.

Aguardem!!!


Pítias

terça-feira, 19 de maio de 2009

O Amor Líquido [Ou algumas considerações acerca do amor moderno]


Este é um artigo que nunca gostaria de escrever e muito menos que fosse necessária a sua indicação. Não por uma possível inutilidade, mas sim por um desejo idealista meu de que o Amor, instância para mim superior, fosse sempre imaculado e não influenciado por qualquer coisa que esteja fora dele mesmo. Mas infelizmente, neste sentido, como disse Marx:

"O modo de produção dos bens materiais de existência determina necessariamente o processo de vida social, cultural e intelectual [1].

Sendo o amor um fenômeno social e, portanto, construído historicamente, sofre influências desse mundo que se convencionou chamar de "pós-moderno" [2] e do modo de produção neoliberal, em que o "homem sem vínculos" [3] é eleito o nosso grande herói. Esse é o cerne do pensamento de Zygmunt Bauman, um dos nossos maiores sociólogos vivos, preocupação que pode ser vista melhor no seu livro, Modernidade Líquida e, em relação ao tema deste artigo, o Amor Líquido: Sobre a fragilidade dos laços humanos.

O conceito de líquido é uma retomada da célebre frase de Marx: "Tudo que é sólido se desmancha no ar" [4]; em que o filósofo critica a atuação da burguesia de substituir todas as relações que eram sólidas como, por exemplo, o amor e a família, que tanto ele como seu companheiro de produção Hengels, dissertariam depois [5]. Bauman estuda essas novas características modernas de conceitos líquidos, fluidos e leves que surgiram em oposição às ideologias fortes, pesadas e sólidas.

"O que todas essas características dos fluidos mostram, em linguagem simples, é que os líquidos, diferentemente dos sólidos, não mantêm sua forma com facilidade. Os fluidos, por assim dizer, não fixam o espaço nem prendem o tempo."[6]

Outra característica deste mundo líquido é o final da crença de que podemos alcançar um Estado de perfeição no futuro, que, pensando assim, "excluem-se" os valores sociais enquanto mantêm-se os individuais, com o seguinte pensamento: "Já que um mundo próspero não é possível então para quê gastarmos nosso tempo com isso?" [7].

Mas não podemos compreender a liquidez de Bauman simplesmente relacionada ao vazio ou ao randômico, mas sim associada à leveza de Ítalo Calvino, nas Seis propostas para o próximo milênio, em que esta seria ligada à determinação e à precisão e neste enfrentamento de forças a liquidez deixa e leva marcas nesse fluir.

Neste sentido a liquidez é um sólido e o próprio autor afirma que a modernidade tem por característica o derretimento dos sólidos desde o seu princípio, mas como preparação para outros e novos sólidos. Podemos conferir que essa liquidez não está próxima do aleatório, mas sim do determinado e assim à leveza; aproximação que Bauman mesmo fez:

“Há líquidos que, centímetro cúbico por centímetro cúbico, são mais pesados que muitos sólidos, mas ainda assim tendemos a vê-los como mais leves; menos “pesados” que qualquer sólido”.[8]

Para iluminarmos mais ainda estas passagens evoco Valery que, aliás, aparece em outra citação já no início do livro: “É preciso ser leve como o pássaro, e não como a pluma” [9]. Em que expressa mais uma vez com clareza o exemplo da determinação precisa.

Voltando à questão do amor líquido que, neste livro, é estudado por Bauman nas suas várias possibilidades, como sendo: amor ao próximo, ao cônjuge ou nós mesmos. Na era globalizada, que a velocidade, seja de informações ou contato, é de extrema importância, tudo passa a ser encarado como mercadoria [10] e, o amor, como conceito, passa então a sofrer algumas modificações.

O homem criou ou se identificou em tribos, grupos, cidades, estados e etc., ou seja, necessita de relacionar-se, mas os relacionamentos modernos, segundo Bauman, são um dos valores mais ambivalentes; "pedimos" um relacionamento, mas ao mesmo tempo ansiamos para que seja leve.

Pelo ritmo veloz e influência da mídia não usamos freqüentemente a palavra relacionamento, que soa excessivamente pesada, mas sim "conectar-se" expressão identificada com o mundo virtual onde outro modelo ilustra o mundo líquido: as redes. Sejam elas sociais ou de relacionamentos, como os conhecidos Orkut e MSN, pessoas se conectam umas às outras e conservam as suas redes, em que as conexões entre pessoas são feitas por escolhas tanto para conectar-se ou desconectar-se, tudo isso num ambiente de movimentos em que o compromisso pode fechar portas para novas conexões ou experiências. Observe o crescente número de pessoas que se proclamam de "relacionamento aberto" ou os "casais semi-separados", tudo isso para não diminuírem suas "possibilidades românticas" e também quando qualquer conexão começa a dar problema ou, às vezes, muito antes disso, a reação é, ao invés de se pensar em resolver o problema, tem-se a "vantagem" de desconectar, excluir, deletar ou simplesmente bloquear para outro momento oportuno ou um “nunca mais" que seja.

Além da velocidade e a noção de mercadoria, que juntas, tornam lícita e até mesmo justificam posições como o relacionamento aberto, em que, como numa aplicação na bolsa de valores, não titubeamos em vender uma ação quando ela está em baixa, da mesma forma, não hesitamos, segundo Bauman, de fazer o mesmo quando aparece uma nova possibilidade de "conexão" aparentemente mais lucrativa que a nossa atual. Este livro de Bauman não é uma coleção de formulas de sucesso para o amor (isso é coisa para os livros de auto-ajuda!) nem de como conservá-lo, mas ele traça um panorama definido sobre o momento único que vivemos, em que nunca houve tanta liberdade e facilidade na escolha de nossos parceiros - no sentindo de ser possível a possibilidade -, no entanto, isso nós remonta a um cenário dramático de incertezas, pois não sabemos se queremos ou não sair dessa situação [11], que é o que faz o autor não ter um prognóstico definitivo sobre o nosso rumo. Isso revela o que, Gioconda Bordon, disse, certa vez sobre o livro [12]:

"A sociedade neoliberal, pós-moderna, líquida, para usar o adjetivo escolhido pelo autor, e perfeitamente ajustado para definir a atualidade, teme o que em qualquer período da trajetória humana sempre foi vivido como uma ameaça: o desejo e o amor por outra pessoa."

Não estou generalizando ou tendo uma visão pessimista do amor, que como disse no início, e ainda continuo com essa posição, é de uma instância superior, mas uma observação muito atenta deste livro e mesmo do pensamento de Bauman, é necessária, pois o estágio atual do mundo e do amor moderno seja como negação, percepção e adesão, nos afeta.

Bom pensamento e bom ócio!




Sofista Minimus.




______________________
[1]. Karl Marx. A Ideologia Alemã. Boitempo, São Paulo, 2007.

[2]. Termo muito usado por pensadores como Jean-François Lyotard que, entre outras diz, que a era das grandes narrativas, os mitos e os grandes esquemas ou escolas de pensamento haviam chegado ao fim.

[3]. Esse é o héroi do livro de Roberto Musil, O Homem Sem Qualidades, que Bauman retoma.

[4]. Karl Marx. O Manifesto do Partido Comunista. L&PM, São Paulo, 2001. Esta frase também é o título de um bom livro de Marshal Berman que também estuda a modernidade.

[5]. Hengels escreveu, por exemplo, A Origem da Família.

[6]. Zygmunt Bauman. Modernidade Líquida. Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 2001. Pág. 8.

[7]. Antonio Candido, num belo especial dedicado aos seus 90 anos, ano passado, abordou o assunto alertando para o perigo que marca o final dessas grandes ideologias, marca da nossa época, em que pode ser iminente que surja um discurso ufano ou mesmo "religioso-além-mundano”, com bastante força.

[8]. Modernidade Líquida. pág. 8.

[9]. Ítalo Calvino. Leveza. In Seis propostas para o próximo milênio. Companhia das Letras, São Paulo, 1990.

[10]. Karl Marx, no primeiro capítulo d’O Capital, já nos alertava para a característica burguesa de considerar tudo como uma mercadoria.

[11]. E talvez essa condição ideal nunca possa ser possível, pois Bauman diz adiante que "Todo amor é antropofágico” assim pode ser considerado como sendo um relacionamento por excelência "pesado" por mais que aspire à leveza.

[12]. Jornal Gazeta Mercantil, Caderno Fim de Semana, em 31 de julho de 2004